Essa semana o Brasil todo (ou quase) está acompanhando o julgamento do casal Nardoni, acusado de ter assasinado a própria filha (dele), jogando-a da janela do apartamento em que o casal em questão morava.
Em um processo como este, que levou à comoção nacional, a imprensa não para de abordar o tema, e a sociedade (muitas vezes motivada pela própria imprensa), já dera o seu veredito para o casal: culpado.
Não estou com isso defendendo o casal, muito menos acusando, esse papel cabe ao Judiciário, mas aqui, coloco-me a observar a posição da imprensa neste e em outros casos. É certo que a mídia escolhe seus vilões e mocinhos e estes, os transforma em maus da noite para o dia e o povo, compra suas ideias (da mídia, claro) de maneira quase imediata e total.
Há alguns anos, o cantor Belo fora condenado pelo crime de associação para o tráfico, por conta de uns telefonemas que ele supostamente teria dado negociando a compra de uns "tênis" (que na linguagem do tráfico significa fuzil). O caso ganharia notoriedade e o cantor teria sido "condenado" pela mídia antes mesmo de ser julgado (cabe ressaltar que o mesmo fora condenado pela Justiça, ou seja, segundo o Judiciário, ele realmente cometera tal delito).
Semana passada, dois dos mais importantes jogadores de futebol do Clube de Regatas do Flamengo (clube mais popular do país e, por isso, quase sempre protegido pela mídia) tiveram seus nomes envolvidos em casos semelhantes ao do cantor: um, supostamente, teria sido escoltado por traficantes em uma favela da Zona Sul do Rio de Janeiro e o outro (também supostamente) teria dado uma moto à mãe de um dos traficantes mais perigosos da capital fluminense. Obviamente, os dois fatos foram negados.
Ora, certamente o assunto cairá no esquecimento, pois a imprensa já aceitou a inocência de ambos, tratando o caso como um equívoco. Não estou aqui acusando os desportistas, apenas gostaria de viver em um país onde a imprensa não tivesse dois pesos e duas medidas...
P.S.: Escrevi essas linhas antes de saber o resultado do julgamento. A Justiça condenou o casal a pena de prisão. Ele a uma pena de 31 anos e ela 26.
