domingo, 19 de outubro de 2008

Ao mestre, sem carinho...

Essa semana comemorou-se o Dia dos Professores (15-Out), data em que é considerado feriado escolar, ou seja, não tem aula, fato muito comemorado pelos alunos...
Dizer que a nossa sofrida profissão não tem o que comemorar já virou clichê, todos dizem isso, mas, enquanto não mudarem a mentalidade de nossos governantes, onde os mesmos passem a olhar a educação como prioridade, o panorama em nada mudará em relação a esse cenário.
Lutamos contra tudo e contra todos: baixos salários; ausência quase total de estrutura; políticas educacionais meramente eleitoreiras, entre outras coisas... mas, particularmente, o que mais me incomoda é o desinteresse por parte do nosso público alvo, os alunos.
Há uns dias atrás, eu ouvi um comentário de um aluno que me fez sentir muito mal... o camarada, ao se referir a um outro professor, soltou a seguinte pérola: "Esse cara veio? Por que ele não morre logo?"
Imagine você, trabalhar para um público que deseja a sua morte! O cara estuda a vida inteira, passa horas corrigindo trabalhos, elaborando aulas, além de ter uma das profissões mais desvalorizadas em nosso país e ainda por cima ter que passar por isso!
É complicado falar, sei que os valores humanos estão extremamente distorcidos, por conta de uma série de fatores que dariam um livro, mas não se pode conceber que um ser humano deseje a morte de outro por que não gosta de Matemática, isso é absurdo!
Talvez seja por isso que a profissão de Professor seja uma das que mais ocorram desistências ou mudanças, muitas pessoas, com licentiatura ou curso normal mudam de profissão, indo em busca de maior valorização profissional, pessoal (às vezes) e financeira, porém, não podemos nos esquecer de que sem o professor, quem alfabetizaria o advogado, o engenheiro, o administrador, o arquiteto, o médico, o cantor...